A AbroadLink participa no quinto encontro da TEAM-PRRC 2026, em Praga
A associação profissional TEAM-PRRC realizou o seu quinto encontro anual em Praga, nos dias 29 e 30 de outubro, tendo como tema central a proposta de simplificação da Comissão Europeia.
Josh Gambín, em representação da AbroadLink, teve a oportunidade de assistir às apresentações de todos os intervenientes do setor: autoridades competentes, organismos notificados, consultores e fabricantes.
A AbroadLink participa no quinto encontro da TEAM-PRRC 2026, em Praga, para conhecer em primeira mão os desafios enfrentados pelos responsáveis pela observância da regulamentação (PRRC). Nos dias 29 e 30 de outubro, representei a nossa empresa no Hotel Hilton Old Town, em dois dias de apresentações, mesas-redondas e conversas com fabricantes, consultores, autoridades competentes e organismos notificados.
Enquanto empresa de tradução especializada em dispositivos médicos, precisamos de compreender o contexto em que os nossos clientes trabalham. Esta edição da TEAM-PRRC deixou uma questão bem presente: como simplificar o RDM e o RDIV sem perder de vista a segurança do doente nem a disponibilidade dos dispositivos.
A AbroadLink no quinto encontro da TEAM-PRRC: as sessões-chave
A reforma do quadro regulamentar europeu ocupou grande parte do programa do encontro. Entre as sessões dedicadas às propostas de alteração, destacaram-se as que incluíam a perspetiva de quem supervisiona ou avalia a conformidade:
- A mesa-redonda inicial sobre a simplificação do RDM e do RDIV, moderada por Bassil Akra. O programa reuniu Françoise Schlemmer, diretora da Team-NB, e Helena Dzojic, da Agência Sueca de Produtos Médicos, juntamente com representantes da Healthtech Finland, da BVMed e do SNITEM. Esta sessão permitiu abordar a reforma a partir das perspetivas da indústria, das autoridades e dos organismos notificados.
- As alterações propostas às auditorias dos sistemas de gestão da qualidade e à recertificação, a cargo de Ilkka Juuso, auditor-chefe da SGS. Uma sessão especialmente relevante para compreender como a supervisão poderia evoluir ao longo da vida de um dispositivo.
- A redução proposta das obrigações de notificação e de apresentação de relatórios, com Jenifer Hannon, da BSI, e Franck Zal, diretor-geral da Hemarina. O programa propunha comparar as perspetivas do fabricante e do organismo notificado.
- As novas vias de avaliação da conformidade para apoiar a inovação, com Richard Holborow, da BSI. Os temas anunciados incluíam dispositivos inovadores, dispositivos órfãos e ambientes controlados de testagem da regulamentação.
- A mesa-redonda sobre as alterações ao anexo VII, com representantes da BSI, da AFNOR Certification, da TÜV SÜD, da GMED e da DNV. O foco estava nos prazos de avaliação, na capacidade, na transparência e nos desafios para as PME.
A participação da Team-NB em Praga reflete o valor deste formato: ouvir diferentes intervenientes numa mesma conversa. O programa também reservou espaço aos dados clínicos, à vigilância pós-comercialização, à EUDAMED, à inteligência artificial e às responsabilidades dos PRRC.
A simplificação: mais uma complexidade do RDM!
A simplificação de processos que consomem recursos sem produzir um benefício proporcional só pode ser aplaudida. O que nós, doentes, fabricantes e organismos notificados, podemos censurar ao legislador é não ter encontrado um melhor equilíbrio desde o início.
O paradoxo é que, agora que parte do setor começa a saber lidar com o RDM e o RDIV, terá de interpretar novas disposições, adaptar procedimentos e voltar a consultar as orientações MDCG que forem publicadas ou atualizadas. E sim: a simplificação também traz uma nova complexidade.
A proposta da Comissão Europeia para rever o RDM e o RDIV, apresentada a 16 de dezembro de 2025, continua a ser uma proposta legislativa. O seu conteúdo tem de ser negociado e aprovado antes de se traduzir em obrigações aplicáveis. Esta distinção é importante ao planear qualquer adaptação.
Pelo que ouvi durante o encontro, alguns organismos notificados poderão enfrentar um ajustamento difícil, já que investiram em equipas e capacidade para responder às exigências atuais, e uma redução de determinadas atividades poderá obrigá-los a rever essa capacidade. É uma possível consequência da reforma, cujo alcance dependerá do texto final.
Mais requisitos nem sempre significam mais segurança
A segurança do doente exige controlos sólidos, assim como exige que existam dispositivos disponíveis e que a inovação possa chegar a quem dela necessita. Quando uma carga administrativa absorve recursos sem proporcionar um benefício equivalente, convém questionar-se se está a cumprir a sua finalidade.
Um exemplo das dificuldades da transição foi o alargamento dos prazos através do Regulamento (UE) 2023/607. Determinados dispositivos abrangidos pelo regime anterior podem continuar a ser colocados no mercado até 31 de dezembro de 2027 ou de 2028, consoante a sua classe e desde que cumpram as condições previstas. A prorrogação visava reduzir o risco de rutura de abastecimento; não foi uma autorização geral para qualquer dispositivo.
Em Praga, voltei a ouvir preocupações que já tinham surgido noutros encontros do setor:
- Recursos dedicados à certificação de dispositivos existentes que, no final do processo, praticamente não tinham mudado.
- Verbas e tempo que os fabricantes teriam preferido investir em desenvolvimento e inovação.
- Empresas que consideram os Estados Unidos como primeiro mercado, especialmente quando desenvolvem tecnologias inovadoras.
- Dispositivos cuja continuidade comercial é posta em causa pelo custo de os manter no mercado europeu.
Estas experiências não demonstram que todos os requisitos sejam desnecessários. Levantam, porém, uma questão: que impacto têm os encargos desproporcionados no acesso aos dispositivos e, por conseguinte, nos doentes? O custo de uma inovação atrasada ou de um dispositivo retirado do catálogo também conta, embora seja menos visível.
Mas concentremo-nos no lado positivo: corrigir é sinal de sabedoria. A minha impressão foi que muitas das alterações propostas eram bem recebidas pela indústria e pelos organismos notificados. Bassil Akra apelou à recuperação da atratividade da Europa enquanto mercado, recordando processos que, ao abrigo das diretivas, podiam ser resolvidos em três ou seis meses. Deste modo, recuperar a agilidade e a previsibilidade é uma aspiração que merece apoio.
O que poderá mudar nos requisitos de tradução?
A dimensão linguística também faz parte do debate. O texto da proposta da Comissão sugere que os Estados-Membros ponderem aceitar outra língua oficial da União ao determinar as línguas da informação do fabricante. Para tal, devem ter em conta os conhecimentos técnicos, a experiência e a formação do utilizador previsto. É importante frisar que isto não equivale a uma aceitação automática do inglês em toda a UE.
O projeto de relatório elaborado pelo Parlamento Europeu, sob a responsabilidade de Oliver Schenk, propõe ir mais além no caso dos dispositivos destinados exclusivamente a utilizadores profissionais, com informações em inglês. Trata-se de uma proposta no âmbito de um procedimento legislativo ainda em curso, não de uma isenção linguística em vigor.
A minha leitura é que a formulação da Comissão poderá ter um efeito limitado onde o inglês já é aceite para determinadas utilizações profissionais. As tabelas de requisitos linguísticos publicadas pela Comissão mostram diferenças entre os países. Na revisão de agosto de 2025, Espanha, França e Itália figuram com a respetiva língua nacional para rótulos e instruções de utilização, também para utilizadores profissionais.
Por isso, qualquer poupança dependerá do texto aprovado e da sua aplicação. Na tradução de IFU, a compreensão do utilizador continua a ser decisiva: trabalhar num contexto profissional não garante, por si só, que todas as pessoas compreendam a informação técnica complexa em inglês.
Uma comunidade que ajuda a compreender as alterações
Gostaria de terminar por felicitar Elem Ayne, presidente e impulsionadora da TEAM-PRRC, e os restantes membros da direção (Anne Jury, Bassil Akra e Sandra Ferretti) pelo encontro e por terem construído esta comunidade de PRRC. O seu valor reside tanto nas apresentações como nas conversas que continuam durante as pausas.
Reunir autoridades competentes, organismos notificados, fabricantes e consultores num ambiente de proximidade permite compreender melhor as dificuldades de cada parte. A participação da AbroadLink no quinto encontro da TEAM-PRRC 2026, em Praga, ajuda-nos a aplicar todo este conhecimento aos nossos serviços de tradução de dispositivos médicos.
Se está a avaliar como estas alterações poderão afetar a sua documentação multilingue, podemos ajudar a analisar as suas necessidades de tradução. Entretanto, continuaremos atentos à evolução da reforma e às conversas desta comunidade. Vemo-nos em Lisboa no próximo ano!
Josh Gambín is the founder of AbroadLink and leads the company's sales and strategy. With a degree in Biology and a degree in Translation and Interpreting, his background bridges the scientific and linguistic worlds that define our work.
He is a published author in MultiLingual magazine and has participated as conference speaker at leading industry events, including the GALA and tekom conferences, where he shares AbroadLink's perspective on quality, compliance and the responsible use of language technology in regulated sectors.